Ferrous
inicia projeto de porto e mineradora no
Sul
Com investimentos de
R$ 5,4 bilhões, cerca de 5 mil empregos
devem ser gerados
Presidente Kennedy
O grupo Ferrous Resources - fundo que
reúne investidores da Inglaterra,
Austrália, Estados Unidos e Brasil - deu
a largada, ontem, para a implantação de
um grande complexo minerador,
siderúrgico e exportador no Sul do
Espírito Santo.
A empresa renovou sua diretoria em meio
à crise financeira global e anunciou
ontem, no município de Presidente
Kennedy, a intenção de realmente se
instalar no Estado. Foi assinado um novo
protocolo de intenções com a prefeitura
e com governo, ratificando a aplicação
de recursos na região do Distrito
Industrial da cidade - em torno de US$
2,7 bi (R$ 5,4 bi) inicialmente.

O investimento vai gerar, já no próximo
ano, 5 mil empregos diretos e indiretos
na região. E o volume investido poderá
ser maior, com a construção de mais
pelotizadoras e de uma siderúrgica,
chegando a R$ 11 bi.
Já na próxima semana, será implantado o
escritório da empresa no município. Na
segunda quinzena de junho, o presidente
do grupo, Mozart Ltiwnsk, visitará o
município para ver como estão andando os
trabalhos.
A previsão da diretoria da Ferrous é de
que o cronograma inicial seja mantido,
prevendo assim, até o final do próximo
ano, o início da construção de um porto
marítimo, de um mineroduto e de três
usinas pelotizadoras. Os empreendimentos
serão na Praia das Neves, que está perto
da divisa com o Estado do Rio de
Janeiro.
A expectativa é de que, em quatro anos,
tanto o porto, quanto o mineroduto
estejam em operação. Fora as 5 mil
oportunidades de emprego na construção,
outras 1.200 serão geradas a partir da
operação.
Vendo de perto
À frente da diretoria de Desenvolvimento
e Operação da Ferrous desde o início de
abril, Antônio Riggoto visitou, pela
primeira vez, parte da área de 15
milhões de metros quadrados, já
adquiridos pela empresa, em Presidente
Kennedy. "A crise não alterou nada, o
que aconteceu foi uma troca na diretoria
da Ferrous, e é natural que a gente
reveja o projeto", destacou.
À beira da Praia das Neves, bandeiras e
estacas dão conta da demarcação da área
e dos estudos de solo realizados para
receber os empreendimentos. "Queremos
seguir as exigências ambientais para que
logo tenhamos a autorização para iniciar
a obra", destacou o diretor.
"Nossa intenção é começar os dois
empreendimentos juntos, até 2010, mas
tudo vai depender do licenciamento. O
que sair primeiro, a gente inicia"
Antônio Riggoto diretor de
Operação da Ferrous
Empresa reforça planos de expansão
O diretor da Ferrous, Antônio Riggoto,
reforçou os planos de investimentos
futuros para a Região Sul. "A
siderúrgica ainda está em fase de
discussão, com possíveis parcerias.
Primeiro vamos cuidar da execução do que
já temos de concreto. Não temos dúvida
que outros investidores serão atraídos a
partir de nossa operação", disse o
Rigotto. A antiga diretoria dizia que o
montante de investimentos futuros na
região poderia chegar a R$ 11,2 bilhões,
incluindo a siderúrgica.
Município precisa de infraestrutura
Se os investimentos da Ferrous avançam
em Presidente Kennedy, a preocupação com
a estruturação do município tem exigido
dos poderes públicos agilidade. A cidade
já é conhecida por ser uma das mais
beneficiadas no Estado com arrecadação
de royalties de petróleo e também por
ter um dos piores Índices de
Desenvolvimento Humano (IDH),
impulsionado pelo analfabetismo.
Com a chegada da Ferrous, a secretaria
de Planejamento da cidade estima que a
população, hoje estimada em quase de 11
mil, dobre. "A gente sabe da nossa
responsabilidade, e, por isso, estamos
concluindo, até setembro, o Plano
Diretor, elaborado para atender a essa
demanda. Já estamos iniciando a
implantação da Guarda Civil Municipal e
prevendo a construção de um hospital de
emergência", disse o prefeito de
Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta.
Ele acrescentou ainda a contribuição do
governo do Estado em estruturar a
região, dando condições de instalação a
Ferrous. "No protocolo de intenções, o
Estado fala na pavimentação da Rodovia
do Sol para atender também ao porto. Mas
o governo já sinalizou para a gente
outras parcerias", disse o prefeito. A
ES 060, a Rodovia do Sol, é ainda de
terra batida no trecho que corta a praia
e segue até a divida com o Rio de
Janeiro.
Outra preocupação é a qualificação de
mão de obra. A diretoria da Ferrous se
comprometeu em absorver a maior parte
dos profissionais da região, assim como
as empresas terceirizadas que prestarão
serviços nas construções.
Para isso, o município pretende buscar
parcerias com cursos
profissionalizantes, como os oferecidos
pelo Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia (Ifes).